4 de novembro de 2011

Ela não era a mulher mais linda do mundo

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Ele estava com dificuldades de abrir o sutiã com uma só mão. Talvez estivesse um pouco frouxo,  ou talvez aquela boca no seu pescoço o desconcentrasse. Eles entraram no quarto empurrando a porta que bateu forte contra a parede. Ela sentia-se úmida, como se gozasse antes mesmo daquele viadinho magrelo fazer qualquer coisa.  Quando se deitaram na cama, ele jogou as revistas em quadrinho no chão. Só se ouvia o som dos suspiros e gemidos, que eram soltos naquele ar quente e úmido. Com os olhos virados, o garoto sentia aquela mulher brincar com a mão.  Nunca tinha sido igual. Sua cueca já estava apertando, ele não se aguentava mais.  Ela mordia sua pele deixando pequenos vermelhões. Aquilo doía, mas ele queria que doesse, não queria que aquela dor passasse. Queria sentir aquilo em todo seu corpo.
Ela se deitou ofegante na cama, e deixou  que ele a beijasse.  Ele descia com a boca até chegar naqueles seios fartos e pontudos e enquanto passava a língua naqueles mamilos rosados, sentia o gosto de suor misturado com um gosto estranho que devia ser de algum perfume barato.  
Pouco a pouco eles se despiam.  Jogavam no chão, roupas molhadas, quentes, amarrotadas. Ela era obviamente mais experiente que ele, mas o magrelinho sabia o que fazia.

 Ela o beijava sentada em seu colo, sentindo o corpo dele pulsar dentro do seu. Ele sentia o gosto de cigarro que vinha da boca dela, sentia o suor correndo na sua testa, as unhas rasgando suas costas e aquele calor em seu ouvido. 

Ela segurou na cabeceira da cama, sentia o corpo daquele menino sobre suas pernas, um menino magro, que não devia ter seus dezenove anos. Ele, por sua vez, via uma quarentona descabelada, com maquiagem borrada, dentes amarelados e seios que começavam a balançar mais que o natural. 
Ele berrou como um animal no cio quando terminou. Ela estava satisfeita. Aquela respiração difícil musicava o quarto daquele adolescente-quase-adulto-que-já-sabia-fazer-gozar. Ela levantou, passou a mão nos cabelos loiros tentando-os fazer parecer arrumados. Foi até a janela e acendeu um cigarro.

                - Não te preocupa, teus pais não vão sentir o cheiro aqui não, a fumaça ta saindo pela janela.
                - Me dá um – disse ele, levantando da cama.
                - Tu não disse que não fumava? Não quero te botar no vício garoto.
           - Não fumo, mas gosto de colocar o cigarro apagado na boca. Me dá a sensação de que to cumprindo todo o ritual, com todos os clichês.
                Ele colocou o cigarro na boca, e serviu conhaque em dois copos.
                -Você vai vir aqui semana que vem? - Perguntou ele, oferecendo um dos copos.
                Ela soltou fumaça, deu um gole grande, passou o punho nos olhos.
                - Tu não devia se apegar guri. Tu sabe que eu não to disponível pra esse negócio de vida a dois.
              - To sabendo – disse ele, mexendo a mão fazendo o gelo do conhaque tilintar – Só pensei que, talvez a gente pudesse se ver pra mais uma bem dada.
                - A gente vê. Te cuida criança -  Ela disse apagando o cigarro, e procurando suas roupas.

Quando ela saiu, ele deitou-se na cama, ainda nu, e ficou um tempo imaginando como seria se ela sentisse por ele, o que ele sente por ela.
Tratou de dormir logo, em três horas ele tinha terapia. Mais um dia pra ficar uma hora em silêncio dentro de um consultório.

Um comentário:

  1. hmm, adorei (66' ; Esse final está bem misterioso man...

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