3 de agosto de 2014

Éden


Dois corpos. Desnudos. Suados. Gemidos. Cada arrepio se contorce na busca do fôlego perdido. O céu florido envolve e aquece aquelas peles sedentas. Adão e Eva despudorados, sem nada que cubra teus sexos. Apenas bicho-macho e bicho-fêmea. Apenas Bicho-macho-fêmea. Bicho que ora é macho, ora é fêmea e ora não é. Paraíso secreto conhecido por só dois amantes. Intimidade máxima. Lugar onde todos os frutos são proibidos. Onde todos os frutos são devorados. Onde apenas seus olhares ditam o que é lei, nada mais. Lugar onde amar pode. amar deve. 

Éden, lugar onde se transborda.

26 de junho de 2014

Fino fio preso pelo bote por seus cachos


Despercebida e preciosa é a beleza da metade.
A metade do segundo que antecede o orgasmo
A metade do copo que ainda é vodka e que não foi devorada pela metade gelo
A metade do lábio que fica dentro da boca alheia.
A metade do pé que toca o chão para se alcançar um beijo.
A metade da roupa que cobre só a parte de cima
A metade de uma respiração que se interrompe para ser invadida por um arrepio
e finalmente, a metade do sorriso que teu olhar me rouba.

Meu bicho-homem que me faz bem. Minha medusa sedutora e vulgar. Meu tesão maior. Meu conforto. Meu lugar. Meu eu fora de mim.

sou tua costela-fêmea que implora teu suor
Sou quem vigia teus cabelos desfeitos no epílogo de noite vadia
Sou dente cravado em suas coxas mordidas
Sou fino fio preso pelo bote por seus cachos.
Sou seu beijo de lado
Seu beijo de cabeça pra baixo.
Seu beijo excitado
Seu beijo mordido
Seu beijo devorado

E quando as horas se confundem. As pernas se confundem. O suor se confunde. Toco meu lábio no seu e percebo que não quero saber o que sou eu e o que é você. Eu só quero ter a certeza de que amanhã poderei olhar seus lábios e dizer: obrigado por estar aqui, eu te amo.


"não há você sem mim, e e eu não existo sem você"
(Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)

22 de junho de 2014

mariposas, as vezes, têm cor de bosta


♯
     
     As vezes a gente só precisa de um novo corte de cabelo, uma nova banda preferida, um novo prato, uma nova bebida ou uma nova gozada. Para então, lembramos quem somos, ou quem já não queremos ser. Quem nos entedia. Nos mata. Matamos. 
       Renovemo-nos. Que doa o arrancar de peles no casulo. O livrar-se da entediante vida de lagarta. E que mesmo que nasça uma mariposa de cores de bosta. Que seja a mais sensual e envolvente mariposa com cor de bosta. 

12 de janeiro de 2014

La petite mort

Belle mort

Contigo me sinto a beira da morte.
Um eterno frio na barriga de quem cai de um precipício e a alegria de quem morre depois de muito beber um vinho barato.

5 de janeiro de 2014

Olhos embriagados



Se Capitu tinha olhos de ressaca, você tem os olhos da própria embriaguez...
Seu olhar sensual, envolvente, suado, sujo, vulgar, feroz que me devora, me aflora e me faz gritar.
Me embebeda com seu olho forte e afiado que, como uma espada, transpassa meu sexo, minha alma, meu sopro de viver.

Por favor, me embriaga e me deixa tresloucado até que minha alma morra com uma overdose suja de você.