21 de setembro de 2011

O ator


Vá ator
Vista tua face
Cria teu mundo
Quebre teus pudores
Sufoque seus nãos

Mova teu corpo
Dance sua alma
Sinta sua lágrima
Destrone seus medos

Descalça teus pés
pisa sobre o belo
durma com tua dor

Lamba o cheiro da tua arte
E espere teu corpo que agoniza nas labaredas do seu eu

22 de agosto de 2011

até breve

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Eu apenas preciso te ver feliz, te ver bem. Apenas isso. Independente de como eu ficarei, chegou a hora d'eu dizer adeus... adeus não... isso é forte demais, mas eu preciso dizer até breve. Esse "até breve" sai da minha boca como um vômito de sangue, é como um cigarro barato. Não. É como Wisky. Amargo. Frio. Ruim. Esse até breve tem um som estranho. Um grito de dor de mãe, e não é um grito de dor de mãe que está dando a luz. É a dor de mãe que, com seu terço molhado nas mãos, chora sobre o corpo do filho morto. Eu tenho medo do que será depois desse até breve. De como eu viverei. De como você viverá. Espero que sejas feliz, e que quando estiver triste e com vontade de chorar lembre-se que existe um garoto, que está pensando em você. Só peço que demore um pouco para me esquecer. Não que eu queira ser lembrado pra sempre, mas que o meu esquecimento não seja tão rápido. E mesmo depois que tiverdes me esquecido, vez ou outra você bem que pode se sentir diferente quando ouvir meu nome em algum lugar, lembrar que um pouco distante, um rapaz que não pode te esquecer está tentando viver entre tuas lembranças. É difícil pra mim. Espero que um dia você possa me entender e que sua dor passe rápido e que faça sentido pra você que tudo o que eu fiz, foi abrir mão do meu sorriso pelo seu.
O que me consola é que um dia a gente ainda vai se encontrar de novo... e tudo vai ser tão diferente. Pode demorar meses, anos... mas quando nos encontrarmos eu serei forte o suficiente para te fazer feliz, é que agora... agora, tudo é tão difícil... eu sou fraco... tão fraco que eu nem consigo dizer um simples até breve.

12 de agosto de 2011

Elle me dit

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Ela me disse que comigo era diferente, que ela estava feliz, que tudo era único. Ela me disse que eu era o príncipe que ela sempre quis, que estaria disposta a transformar sua vida por minha causa. Lembro muito bem, quando ela disse que me amava. Sim, acredite, ela disse assim mesmo "eu te amo", ela me disse que o amor dela era quase uma obsessão, ela me disse que faria de tudo para amanhecer em meus braços todos os dias. Ela me disse que sairia de casa se preciso, ela me disse que eu era o que mais importava na vida dela. Ela me disse que sentia ciúmes de mim, (e isso era tão fofo)... Ela me disse que o que nós sentíamos era especial... ERA REAL. Ela me disse que se eu caísse, ela iria me levantar, ela disse isso com aquela vozinha doce com um sotaque gostoso. Ela me disse que tinha demorado muito pra me encontrar e que agora não me largaria por nada nesse mundo. Ela me disse que quase morria quando eu dizia que a amava. E eu adorava tanto dizer isso, dizer que a amava, que a queria pra mim, que era ela, a pessoa que reavivou o amor dentro de mim, e que era ela quem eu queria ver todos os dias acordando do meu lado com uma cara de sono e cabelos desfeitos, com aquela beleza totalmente singular...
Ela disse que eu era o homem da vida dela, e que me amava verdadeiramente, ela só esqueceu de dizer que não era pra eu acreditar...


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Por que diabos eu dizia a verdade?

26 de julho de 2011

Aquele que deu errado


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Eu sou sua Aberração,
Sou a mosca que lhe poisa.
Pra não ser o que eles são,
Ah, qu’eu seja qualquer coisa

Sou madame Bovary,
Sou Fiel, sou Capitu
Com angústias me garri
não foi seda, mas Tatoo

Sou perdido nesse mundo
Eu sou vômito d’um bêbado.
Na desordem eu me afundo.

Flores murchas, secas folhas
Sou um monstro, sou sozinho
Esperando que me acolhas

(Ewerton Correia)

4 de julho de 2011

ele amou. ela não viu.

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Ele era um garoto invisível. Sozinho. Nunca foi percebido, afinal não passava de um simples e indiferente garoto invisível. Ele ficava horas em frente a um espelho, mexia-se como se provasse um smoking elegante, sonhava com o dia em que sua imagem apareceria refletida e ele veria a cor de seus olhos. Ele queria que fossem pretos. Como os olhos da garota de cabelo vermelho. Fazia tempo que ele a tinha conhecido. Ele a namorava. Ela não sabia. Era segredo. Uma vez ele pensou em vê-la no banho, mas se conteve. O garoto invisível queria esperar um dia especial. A garota do cabelo vermelho chorava muito, certo dia. Ele até sabia por que. Mais uma vez o garoto da blusa marrom a magoou. Quando ele ficasse visível, aquele cara ia ver só. No entanto, naquele momento, ele deveria ser esquecido. O garoto invisível beijou a face da garota. Era ele quem estava lá em todos os momentos. Faça chuva, faça sol. Ele também já chorou, mas ela, nada fez. Ele era apenas um garoto invisível. Todas as cartas que ele escreveu, ela não leu. Todo sorriso que ele deu, ela não viu. Toda vez que ele secou suas lágrimas, ela não percebeu. Ele lhe contava todos seus segredos, ela não ouvia. Ele contava seus problemas, ela não se importava. Ele era apenas um garoto invisível. Um dia ele a abraçou, isso ela sentiu. Ele quis contar para todos, cochichar com seus amigos. Mas não, ele não tinha amigos. Tolo, ele não imagina o tanto de garotos invisíveis que existem por aí.

3 de julho de 2011

24 de junho de 2011

Vestibular

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Ele estalava os dedos em frente à tela do computador. Ela estava atrasada, cuido que cinco ou dez minutos. Devia ter pegado trânsito ou algo do tipo. Ou talvez, a internet deve estar com problemas. Diversos pensamentos e desculpas eram criadas a cada segundo na cabeça do rapaz, até o instante e que ela entrava. Ah, a partir daí, ele não queria saber de mais nada. Ele passava o dia esperando aquele momento, o momento de olhar para aquela janelinha e rir à toa. Todos que o olhavam não entendiam. Apenas os dois entendiam, apenas os dois. Ela chegou, tinha tirado uma foto nova, ele ficou parado uns vinte segundos, olhando para aquela junção de traços. Não digo que ela era extremamente linda, mas para ele... ah, para ele, ela era perfeita.
Todos os dias quando eles conversavam, era tão mágico. Aquele dia não foi diferente, ela chegou cansada, explicando o motivo do atraso. Ele se sentia tão bem em ter alguém para reclamar daqueles malditos exercícios de química. Os dois riam fazendo as piadas mais nerds que poderiam ser criadas. Como era cômico saber que a lombada é um buraco elevado a menos um. Ela contava sobre todas as aulas do cursinho, enquanto ele fazia um paralelo com as suas. O vestibular estava tão perto, tanta coisa mudaria.
A cada dia que passava, ele sentia mais falta dela. Não é bonito de se contar, mas algumas vezes ele deixou de estudar algumas coisas só para ficar por alguns minutinhos com ela. E quando digo "com ela", digo apenas olhando a tela do computador, que a cada momento transformava-se com novas frases que o deixavam hipnotizados.
Ele em São Paulo, ela no Paraná. Ambos ligados, ambos apaixonados, ambos enfeitiçados. Ele queria fazer uma surpresa pra ela. O rapaz prestaria o vestibular da cidade dela, e esse era um dos principais motivos pelo qual ele se esforçava tanto para entender aquela hidrostática maldita. Quantas vezes ele já não pensou em desistir, mas permaneceu firme. Por ela. Além da faculdade, estar perto dela era um sonho. Ele se doava tanto por isso. Apenas um abraço, seria o suficiente para ele ficar incrivelmente feliz. Às vezes ele imaginava como devia ser o abraço dela, o gosto de seu beijo, o sabor do seu perfume. Às vezes ele se pegava ensaiando como seria o primeiro "oi", ou o primeiro "te amo" cara a cara.
As noites iam passando, ela rindo das piores besteiras que ele contava. Ele, por sua vez, alimentava-se daqueles doces risos.
Passado o vestibular, o dia mais aguardado era o dia da lista. A lista que o faria incrivelmente feliz ou apenas adiaria o sonho, por mais um ano. Coração palpitava. Ele suava. Tremia. E la estava, seu nome, seu lindo nome entre os outros. Ele conseguiu.Ele passou no vestibular do Paraná. Ele se veriam. Ele a beijaria. Ele a teria pra si.
Contou os segundos pra contar a novidade pra ela. e quando ela finalmente entrou ele foi logo dizendo:
- Tenho uma novidade *---*
- Eu tbm amr *----------------* e a minha é mto melhor que a sua.

Ele riu, claro que não era melhor... mas ele era cavalheiro, ela poderia falar primeiro.
- Sabe oq é amor? eu passei no vestibular de São Paulo, VAMOS NOS VER *---------*