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24 de abril de 2013

10 de março de 2013

Gotas no rosto

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Não sei se o céu derrama minhas lágrimas
ou se choro a água da chuva
só sei que meu rosto bate triste
e meu coração que está molhado

12 de fevereiro de 2013

acreditar

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Se um dia me disserem que você está feliz com outro, eu não acreditarei. Ainda que você dê gargalhadas com o que ele fala, eu não acreditarei. Não adiantaria de nada que me mostrem fotos com cores felizes, ou aquele filtro bonito do instagram, eu não acreditarei. A música que descreveu nossos momentos bons  poderia ser cantada para ele, ainda sim, não acreditarei.Não adianta de nada, você sorrir quando o vir, eu sei que sua boca precisa de um sorriso que só eu consigo dar. Não precisa falar, gritar, esgoelar que  você está feliz com outro, eu simplesmente não acreditarei.
Mas se um dia eu souber que você está sofrendo por outro, não terei como negar que você me esqueceu.

20 de janeiro de 2013

Até as 19:00

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Ela estava encostada na cabeceira da cama. Ele sentava na ponta olhando para o relógio, pensando não sei em quê. Ela chorava. Sua respiração banhava-se com suas lágrimas. O cabelo bagunçado grudava na face molhada daqueles olhos de maquiagem borrada. 
- Me deixe ficar até as sete. - ele rompeu o silêncio.
- Por favor, sai da minha casa. Vai pra longe de mim, eu preciso estar só. Eu preciso falar comigo. Eu preciso ser amada por alguém, porque eu confiei isso a você, e você me decepcionou. Olhar seus olhos era a coisa mais doce que me podia acontecer, agora eu só me lembro de como eu sou uma estúpida em acreditar que você seria diferente, que você me trataria como eu mereço ser tratada, que você me faria feliz, que você nunca me faria chorar. Eu acreditei que você nunca me faria chorar, agora não consigo te olhar direito pois as lágrimas já embaçaram minha visão. Será que é tão difícil, pra você, entender que eu não estou bem? Entender que eu não consigo ser boa nem pra mim mesma? Se você me ajudasse a passar pelos momentos ruins, você veria meu sorriso quando tudo estivesse bem. Agora eu só quero que você saia. Por favor vá embora.
- Se eu sair por aquela porta, é pra sempre - pausa - Por favor, não me deixe ir embora.
Ela deitou na cama e continuou a chorar. O relógio devorava o tempo, como já é costume.


19:00

Eles se olharam. Eles se tornaram bicho. Eles respiravam forte. Eles deram o mais visceral e dolorido beijo com gosto de lágrima. Aquele beijou sangrou. Ela queria que ele fosse embora, mas aquele beijo era apenas para dizer: Volte.

5 de setembro de 2012

Genocidio de um homem só. Um homem que não existe.


Eu quero gritar.  Berrar. Quero que todos me ouçam, quero que tudo que tenha vida saiba da minha dor, saiba quem eu sou. E quem eu sou:? Eu choro tanto por não saber. Eu choro por não poder saber. Eu quero  gritar. Quero ouvir minha voz se enrouquecer num berro desumano. Imprudente. Inconsequente. Libertador. 
Ai como dói essas amarras. Correntes farpadas e mergulhadas no vinagre barato. Sinto minha carne ser devorada pela ferrugem. A prudência me faz acostumar-se com a dor. Sentir lanças transpassando minha pele. Pele, essa maldita ponte entre o que tem em mim e o que tem no mundo.Essa jaula que não me suporta. Miúda jaula ferida. Por que meus olhos não se cansam se lavar minha face? Minhas lágrimas amargas gritam meu pranto, minha dor, meu desespero, meu medo, meu assombro. Deixe-me só e não me abandone. Queria que minha pele fosse devorada por decompositores e mostrasse ao mundo o monstro preso dentro do médico. Oh meu Deus, por que tenho que esperar estar em um tumulo para que os vermes me comam? Eu quero que comam minha carne e o jorrar do meu sangue grite minha dor.Eu quero ser o monstro nojento e asqueroso. Eu preciso ser devorado para que a deformaçao da minha face seja motivo de assombro. Eu preciso, urgentemente, assombrar os que eu amo. Meus suspiros se engasgam e me vem a boca o gosto amargo da minha respiração. Eu só quero gritar. E que não exista um pós-grito. Que o tempo se acabe e que o amanhã morra. Eu quero jorrar sangue da minha garganta em cima dos seus bons costumes, lavar seus almoços em familia como num genocídio. O Genocídio de um homem só. Quero deslizar uma lâmina na minha jugular, mas não chore. Não chore, por favor lhe imploro. Não derrame uma só lágrima por essa morte. Pegue seu champagne ou sua pinga barata, tanto faz, e festeje. Sim, festeje. Estamos em festa. Alguém morreu, quer alegria maior? Você não costuma festejar quando alguém se entrega aos vermes? Como você pode ser tão tolo? Você o acha nojento? Mas não se entristeça, não foi suicídio.Eu não quem sou. Não sei se sou um, dois ou se sou mil. Eu apenas matei. Se matei um dos mil ou matei o unico, eu não sei. Eu não sou suicida, eu sou homicida. Eu matei a mim mesmo, mas eu, eu não sou eu. Se matei um dos mil eu lhe fiz um favor, Mas matando o unico, eu deixo de existir, ou talvez, eu nunca tenha existido. Quero deixar todo esse carbono das minhas carnes adubar o solo assim como estrume de uma vaca. Oh meu Deus, por que as lágrimas não sabem se caem ou se secam? Acho que minhas lágrimas ficaram roucas. Até essas malditas lágrimas me abandonam. A fadiga me alcança. O Cansaço. O sono. Ou talvez, a Morte. Talvez seja a morte. Alguém preciso morrer. Mas eu tenho tanto medo. Eu sou tão fraco. Tão dependente. Tão incompetente que nem apodrecer eu consigo.

26 de agosto de 2012

Pássaro esqueceu de migrar

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E agora quem eu vou abraçar? Sempre que eu tinha um problema, era em você que eu encontrava conforto, era em você que eu me sentia seguro, eram suas palavras que eu precisava ouvir. Agora é como se eu me perdesse numa cidade estranha e voce tivesse me roubado os mapas. Agora me encontro desnorteado, longe da minha região de conforto, tentando sentir a direção do vento para chegar em algum lugar.
Na sua busca por negar sua essência, escolheu negar a mim, negar a confiança que tinhamos, negou tudo para viver uma mentira. Inútil mentira.
Só espero que você seja feliz, e que viver a vida de outra pessoa te seja suportável o suficiente.

31 de julho de 2012

28 de junho de 2012

Dicção Portuguesa

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(…)

- Não importa se nos veem juntos, por que assim não é visível o que fomos e o que somos.

- O que fomos?

- Amantes.

- O que somos?

- Pelo que sei, sou amante só.

(…)

3 de junho de 2012

Rêve


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Eu pensei ter te superado. Eu pensei que depois de todo esse tempo eu poderia seguir minha vida, e nem me importar com você. Eu pensei que poderia te tratar como alguém comum. Eu estava enganado.
Depois de tanto tempo, a sua lembrança me mata aos poucos. Sinto seu cheiro impregnado em minha pele. Seus lábios ainda estão marcados em minha face. Ouvir você dizer: "diga uma ultima vez meu nome" foi algo inexplicável. As palavras me abandonaram e deixaram no seu lugar, as lagrimas. Você me viu chorar e não se importou. Típico. Você não se importa comigo, por que diabos eu não consigo simplesmente não me importar também?
Esse sentimento de saudade, de ausência, me faz fazer coisas que talvez eu me arrependa, mas dane-se, o mundo foi feito para aqueles que se arrependem do que fazem e não do que não fizeram. 
Depois de tanto tempo, eu queria olhar pra uma foto sua e sorrir. Mas não dá. Seus risos que antes me faziam feliz, hoje me matam, me sufocam, me aprisionam num mundo triste, sozinho, sofrendo as dores da sua indiferença.
Não peço que eu consiga viver tão bem quanto quando estávamos juntos. Peço apenas que eu consiga seguir minha vida, como era antes de você chegar, conquistar minha confiança, conseguir espaço em mim, tatuar sua voz no meu peito e depois vomitar o meu companheirismo. 
Talvez o que mais me machuque seja o fato de que eu não sinto falta de você, eu sinto falta da ideia que eu fiz de você, essa ideia irreal que me fazia bem. Saber que talvez, sempre tenha acreditado em um alguém que nunca existiu, e agora eu necessite com todas as suas forças de sua volta, me deixa sem forças, sem fé em dias melhores.
Não posso amar, não posso ter amigos, como é que se pode ser feliz assim?

31 de março de 2012

Paradoxo


JUN                                                                                                                         TOS




J                             U                              N                        T                  O                     S


JU

                                                          NT

                                                                                                                                  OS

            



SEPARADOS

14 de março de 2012

Eu nem ouvi um tchau

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Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
 Je me cacherai là
A te regarder 
Danser et sourire
Et à t'écouter
 Chanter et puis rire
(Jacques Brel)


Madrugada. Pego-me pensando em algo que não imaginei que pensaria. Pego-me pensando em você. Mais do que isso, sinto sua falta.
As vezes acho que meu peito é feito de água, então, quando sinto esse aperto, toda água transborda pelos olhos lavando dores e essa saudade, essa maldita e dolorosa saudade.
Observo-te de longe, te vejo no alto, exatamente onde você gostaria de estar, exatamente onde eu te ajudei a chegar e aqui de baixo, vejo o quanto não se importa mais, o quanto eu não sou mais útil, o quanto eu me tornei dispensável. Acho que o que mais dói, não é saber que você não precisa mais de mim, e sim saber que nunca precisou.
Confesso que imaginei que tudo seria diferente e que jamais eu estaria aqui, numa madrugada com uma lapiseira na mão, olhos banhados de lágrimas e nariz escorrendo, escrevendo sobre a saudade que sinto de ti. Mas  o que posso fazer, senão tentar aceitar o fato e chorar? Chorar de saudade daqueles bons momentos que precisávamos um do outro (ou pelo menos eu precisava).
As vezes eu fico pensando que algum dia, você ainda vai me surpreender e me mostrar o quão importante eu sou pra você, e que a partir de então, seremos felizes... 
Nunca te pedi que grudasse em mim e me tivesse em sua mente a todo momento, só queria que você lembrasse, vez ou outra, que eu ainda existo e posso estar sentindo sua falta.

Os tempos mudaram, sua vida mudou, mas se você sentisse um terço dessa saudade que sinto, você saberia o que fazer.

11 de fevereiro de 2012

fraqueza

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Eu queria acreditar que isso não é um adeus, que tudo vai ser igual, que você não me deixará para trás e que no fim riremos disso juntos.
O mais difícil com certeza é aceitar, aliás, o mais difícil é entender isso que eu estou sentindo . Não sei se estou feliz ou se estou triste. O mais provável é que seja tristeza, afinal que felicidade é essa que faz eu me sentir como a pior e mais descartável das pessoas.
Mas você está bem, isso que importa. Ah esse sou eu, sempre te pondo a frente de mim. Acho que talvez esse seja o problema. Quando você se afastar e encontrar pessoas melhores, eu não conseguirei mais te por a frente de mim, e terei que começar a cuidar dos meus sentimentos, das minhas dores... Ah, não consigo acreditar que é um adeus... Só te peço que não te esqueças de mim por completo, pois independente de qualquer coisa, sempre estarei pensando em você.

25 de janeiro de 2012

Dias...

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Dias escuros sem sorrisos, sem risadas de verdade. Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir. Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade. Quando acordo, vejo que meus sonhos não passam disso, sonhos; e é assim que cada dia começa: desejando que não tivesse começado, desejando viver no mundo dos sonhos, ou transformar meu mundo real num lugar que eu possa viver, não sobreviver.

Caio Fernando Abreu

21 de janeiro de 2012

Um por todos e...

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É tudo tão confuso pra mim. Não tente me entender, eu também não consigo. Só sei que eu precisava de você e que você não estava lá. E depois de tudo, eu sou o culpado, eu sou o chato, o incompreensível, o moralista...   A pior parte é que entre tantas características faladas, ninguém lembrou que eu sou aquele que abre mão de tudo pra que você esteja bem. Talvez, minhas prioridades sejam estranhas demais, mas prefiro acreditar que as prioridades do mundo que são erradas. Pra mim, faz mais sentido.
Tudo isso só me fez pensar em uma coisa, depois que toda essa fase passar, eu terei alguma serventia pra você? É triste saber que não.
Eu acho que é de extrema importância cuidar dos outros, sempre estar lá abraçando, fazendo ficar bem, só que chega uma hora que cansa cuidar de todos e não ter ninguém pra cuidar de mim. Eu simplesmente estou sem forças, não posso continuar me esquecendo de mim pra me lembrar dos outros, sempre fiz isso porque acreditei que quando a situação se invertesse e eu precisasse, você estaria ali conversando, abraçando ou simplesmente silenciando ao meu lado. Já sabemos o que aconteceu. Você estava garantindo a foda da noite. Espero que tenha valido a pena. 
O jeito agora é parar de chorar (já chorei o bastante), levantar a cabeça, sorrir (mesmo que de mentira) e dizer ao mundo que não preciso de mais ninguém pra cuidar de mim. Obrigado por me virar as costas, isto me ajudou a ver o quão babaca eu sou, me ajudou a perder qualquer esperança nas pessoas, me ajudou a parar de crer que todos estarão dispostos a fazer por mim o que eu faço por eles, me ajudou a ser mais egoísta e ver que isto não é tão ruim; é necessário. Agora, eu me desprendo de qualquer dependência, mantenho os olhos no horizonte, sinto uma lágrima correr, mas logo a seco, não esperarei que ninguém o faça, caminho em linha reta e queixo erguido. Começa o tempo em que eu passo a cuidar de mim.

16 de janeiro de 2012

A um passarinho que sinto falta...


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Quando tu virás
Na minha janela
Meter o nariz?
Para ver um verso
Ainda sou poeta
Já não sou feliz!
Para veres uma prosa
Eu sou Anchieta
E venho de Assis
Deixa-te de histórias
Corras log'aqui.

3 de janeiro de 2012

garoto amaldiçoado


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Ele era um garoto amaldiçoado. Toda vez que alguém pedia socorro, ele não conseguia não ajudar.
Um dia ele gritou:
-Socorro!

Houve um silêncio no local.

24 de dezembro de 2011

Ele era um atrapalhado.


Ela deitava sobre o colo dele com uma cara de boba. Seu olhar estava perdido no infinito. Nos seus olhos, via-se um brilho por entre a maquiagem escura. Ele acariciava aqueles cabelos macios e trançados e ouvia o que ela tinha a dizer. As palavras saiam de modo estranho, ela não fechava muito a boca pra pronunciar o "u", nem tampouco o "o", o sorriso estampado na sua cara não deixava. Ela contava sobre seu novo namorado, falava como ele era gentil e doce e amável e surpreendente e educado e romântico e...
Ele apenas ria de todos aqueles elogios, idealizações, promessas de um futuro perfeito. Ela estava tão feliz, ele gostava de quando sua amiga sorria tanto por causa de algo. Ele só queria que aquele novo rapaz a fizesse muito feliz. 
Ela rolava pela casa, contando histórias e, às vezes, interpretando algo que só as palavras não seriam capaz de contar, como o modo que o namorado lhe pegava pelos cabelos... Ele sorria, fazia uma piada aqui, outra ali, mas ela nem se importava. Ela sabia o quanto seu amigo era um palhaço, um pobre rapaz que não sabia falar sério.
A hora ia avançando e ela tinha que ir encontrar o seu Romeu. Foi uma despedida rápida. Ela saiu entusiasmada. Ansiosa. As mãos suavam.
No fechar da porta, ele deitou na cama, fechou os olhos e pensou no quão feliz ela estava. Apertou uma almofada contra o peito. Chorou. O que ele não daria para estar no lugar daquele outro?
Os fogos subiam. Jingle bells, era noite de natal.

4 de novembro de 2011

Ela não era a mulher mais linda do mundo

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Ele estava com dificuldades de abrir o sutiã com uma só mão. Talvez estivesse um pouco frouxo,  ou talvez aquela boca no seu pescoço o desconcentrasse. Eles entraram no quarto empurrando a porta que bateu forte contra a parede. Ela sentia-se úmida, como se gozasse antes mesmo daquele viadinho magrelo fazer qualquer coisa.  Quando se deitaram na cama, ele jogou as revistas em quadrinho no chão. Só se ouvia o som dos suspiros e gemidos, que eram soltos naquele ar quente e úmido. Com os olhos virados, o garoto sentia aquela mulher brincar com a mão.  Nunca tinha sido igual. Sua cueca já estava apertando, ele não se aguentava mais.  Ela mordia sua pele deixando pequenos vermelhões. Aquilo doía, mas ele queria que doesse, não queria que aquela dor passasse. Queria sentir aquilo em todo seu corpo.
Ela se deitou ofegante na cama, e deixou  que ele a beijasse.  Ele descia com a boca até chegar naqueles seios fartos e pontudos e enquanto passava a língua naqueles mamilos rosados, sentia o gosto de suor misturado com um gosto estranho que devia ser de algum perfume barato.  
Pouco a pouco eles se despiam.  Jogavam no chão, roupas molhadas, quentes, amarrotadas. Ela era obviamente mais experiente que ele, mas o magrelinho sabia o que fazia.

 Ela o beijava sentada em seu colo, sentindo o corpo dele pulsar dentro do seu. Ele sentia o gosto de cigarro que vinha da boca dela, sentia o suor correndo na sua testa, as unhas rasgando suas costas e aquele calor em seu ouvido. 

Ela segurou na cabeceira da cama, sentia o corpo daquele menino sobre suas pernas, um menino magro, que não devia ter seus dezenove anos. Ele, por sua vez, via uma quarentona descabelada, com maquiagem borrada, dentes amarelados e seios que começavam a balançar mais que o natural. 
Ele berrou como um animal no cio quando terminou. Ela estava satisfeita. Aquela respiração difícil musicava o quarto daquele adolescente-quase-adulto-que-já-sabia-fazer-gozar. Ela levantou, passou a mão nos cabelos loiros tentando-os fazer parecer arrumados. Foi até a janela e acendeu um cigarro.

                - Não te preocupa, teus pais não vão sentir o cheiro aqui não, a fumaça ta saindo pela janela.
                - Me dá um – disse ele, levantando da cama.
                - Tu não disse que não fumava? Não quero te botar no vício garoto.
           - Não fumo, mas gosto de colocar o cigarro apagado na boca. Me dá a sensação de que to cumprindo todo o ritual, com todos os clichês.
                Ele colocou o cigarro na boca, e serviu conhaque em dois copos.
                -Você vai vir aqui semana que vem? - Perguntou ele, oferecendo um dos copos.
                Ela soltou fumaça, deu um gole grande, passou o punho nos olhos.
                - Tu não devia se apegar guri. Tu sabe que eu não to disponível pra esse negócio de vida a dois.
              - To sabendo – disse ele, mexendo a mão fazendo o gelo do conhaque tilintar – Só pensei que, talvez a gente pudesse se ver pra mais uma bem dada.
                - A gente vê. Te cuida criança -  Ela disse apagando o cigarro, e procurando suas roupas.

Quando ela saiu, ele deitou-se na cama, ainda nu, e ficou um tempo imaginando como seria se ela sentisse por ele, o que ele sente por ela.
Tratou de dormir logo, em três horas ele tinha terapia. Mais um dia pra ficar uma hora em silêncio dentro de um consultório.

31 de outubro de 2011

Ninguém vai nos separar uma ova...

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"Sou sua de corpo e alma". Você lembra que você de quando você era minha de corpo e alma? Agora você simplesmente acha que pode ser de outro.Não lembro de ter te devolvido. Você sabia que não é educado dar algo e pegar de volta?
Malditas sejam as palavras... Aliás, não acho certo generalizar. Malditas sejam as SUAS palavras. Palavras frias. Palavras falsas. Palavras vazias. Palavras sofrimentadoras.
Não se mente assim, não. Não está certo dizer que ama sem nem saber o que é amor. VOCÊ NÃO SABE COMO É AMAR. Acredito que seja por que você não seja digna disso.
Na minha cabeça suas palavras dançam, numa confusão de memórias ruins e noites frias e maquiagem borrada. Eu me sentia único, especial, hoje, sou só mais um. Só mais um idiota que acreditou que você tinha coração.
E depois você vem me dizer que eu sou seu amigo e que eu sou importante. Não quero uma amizade como premio de consolação pro perdedor. Não saio do pódio com orgulho de uma medalha de prata.
Um sentimento tão grande que você dizia ter não pode simplesmente sumir e aparecer em outra pessoa. Isso não é amor. É atraçãozinha.... Eu fui só uma atraçãozinha. É foda saber disso.
Vai lá. Vai fazer parte de outra história. Dançar loucamente em boates com outro. Vai fingir que se importa com os sentimentos de mais um babaca.
Mas quer saber de uma coisa? pode ficar... Um dia você não vai me fazer falta. Um dia seu nome vai ser como o dos outros.Um dia eu vou ser feliz, eu prometo. 

11 de outubro de 2011

O garoto mais esquecível do mundo

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Uma vez você falou
Que era meu o seu amor
Que ninguém ia separar
Você de mim
(Isabella Taviani)


É um dom ser esquecível? Ou será um super poder que só eu tenho?
Hoje quando acordei senti que algo tinha mudado, não digo que não parei de pensar no que você me fez, mas eu sentia... Hoje é o dia-depois, aquele dia que você não teve muito tempo pra pensar sobre o assunto, e que de repente você se pega ouvindo músicas deprimentes, seus olhos lacrimejam, e o que você mais quer é ficar sozinho, abraçar qualquer travesseiro, e parar de sentir essa coisa estranha no coração. É estranho como um simples subir-de-escada-rolante tem sua marca, sua história. É impossível não lembrar de você, das suas palavras doces, do seu sotaquezinho engraçado, das suas mechas loiras que te davam uma "atitude", de como você falava que me amava, que eu era tudo pra você e que estaríamos juntos pelo resto da vida. De repente, você me diz que apareceu outro em sua vida. Lembra quando eu te disse que tinha medo desse negocio de amor? Era disso que eu tava falando. Eu deveria ter deixado claro, que na verdade eu tenho medo desse pós-amor, esse momento em que sua presença nos meus pensamentos incomoda. 
Você se preocupou tanto em dizer que não me amava mais de uma forma sutil, de um jeito que eu não me machucasse, mas sabe? Esse é o tipo de coisa que foi criado para machucar, pra quebrar coração. Você poderia ter poupado todas essas palavras doces pro seu novo amor, que nem o nome eu sou digno de saber... E sabe o que é mais engraçado? que mesmo depois de tudo, eu te vejo feliz,  sorridente... Ai eu me pego pensando que talvez, o problema seja comigo, e que eu não sabia como te fazer feliz de verdade, e só o fato de ter uma "desculpa" para me largar de deixou tão bem... Talvez, eu não sirva pra isso mesmo, esse negocio de fazer os outros felizes... talvez eu não sirva pra te fazer feliz, não sirva fazer ninguém feliz, nem a mim mesmo... 
Por outro lado, imagino que todo aquele amor era um punhado de palavras bem feitas com propósito de enlaçar meus sentimentos, afinal, é estranho ver que de um dia pro outro, eu não sou mais nada pra você, ver que eu simplesmente fui esquecido... Se bem, que ainda estamos falando de mim, o garoto mais esquecível do mundo...