Nada se ouve além do assobio do silêncio e vez ou outra, o barulho dos meus movimentos na cama, ou talvez minha respiração tristonha. Se pudessem ouvir dentro de mim, a cidade não dormiria. No meu peito a dor de uma metade. Na minha mente um caos de medos, dúvidas, indagações, incertezas e essa saudade de você. Essa maldita saudade do que nunca se teve. As luzes estão apagadas para que ninguém veja meus olhos vermelhos, nem meus cílios molhados. Todos acham que meu riso se mantém no escuro, mas só eu sei quantas luzes já apaguei para que ninguém veja meu pranto. Ouço nos fones de ouvido aquela mesma música que você me mandou. Sinto seu cheiro nela. Mas você não está aqui. Abraço meu travesseiro com tanta devoção que um dia ele ainda vai se tornar você enquanto eu durmo. Nesse dia eu acordarei e te encontrarei olhando meu rosto velando meu sono. Ouvirei um bom-dia com um sorriso bobo, talvez eu vire o rosto como quem quer continuar dormindo, mas não se engane, eu só quero que você me dê um beijinho manhoso, me faça cócegas e se aconchegue nos meus braços para sentirmos nossas peles nuas se tocarem, se conectarem, se amarem. Só então poderei dizer: Eu te amo.
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5 de outubro de 2012
Ao meu travesseiro
Nada se ouve além do assobio do silêncio e vez ou outra, o barulho dos meus movimentos na cama, ou talvez minha respiração tristonha. Se pudessem ouvir dentro de mim, a cidade não dormiria. No meu peito a dor de uma metade. Na minha mente um caos de medos, dúvidas, indagações, incertezas e essa saudade de você. Essa maldita saudade do que nunca se teve. As luzes estão apagadas para que ninguém veja meus olhos vermelhos, nem meus cílios molhados. Todos acham que meu riso se mantém no escuro, mas só eu sei quantas luzes já apaguei para que ninguém veja meu pranto. Ouço nos fones de ouvido aquela mesma música que você me mandou. Sinto seu cheiro nela. Mas você não está aqui. Abraço meu travesseiro com tanta devoção que um dia ele ainda vai se tornar você enquanto eu durmo. Nesse dia eu acordarei e te encontrarei olhando meu rosto velando meu sono. Ouvirei um bom-dia com um sorriso bobo, talvez eu vire o rosto como quem quer continuar dormindo, mas não se engane, eu só quero que você me dê um beijinho manhoso, me faça cócegas e se aconchegue nos meus braços para sentirmos nossas peles nuas se tocarem, se conectarem, se amarem. Só então poderei dizer: Eu te amo.
9 de julho de 2012
Rouge à lèvres
4 de novembro de 2011
Ela não era a mulher mais linda do mundo
Ele estava com dificuldades de
abrir o sutiã com uma só mão. Talvez estivesse um pouco frouxo, ou talvez aquela boca no seu pescoço o
desconcentrasse. Eles entraram no quarto empurrando a porta que bateu forte
contra a parede. Ela sentia-se úmida, como se gozasse antes mesmo daquele
viadinho magrelo fazer qualquer coisa.
Quando se deitaram na cama, ele jogou as revistas em quadrinho no chão.
Só se ouvia o som dos suspiros e gemidos, que eram soltos naquele ar quente e
úmido. Com os olhos virados, o garoto sentia aquela mulher brincar com a
mão. Nunca tinha sido igual. Sua cueca
já estava apertando, ele não se aguentava mais. Ela mordia sua pele deixando pequenos
vermelhões. Aquilo doía, mas ele queria que doesse, não queria que aquela dor
passasse. Queria sentir aquilo em todo seu corpo.
Ela se deitou ofegante na cama, e deixou que ele a beijasse. Ele descia com a boca até chegar naqueles
seios fartos e pontudos e enquanto passava a língua naqueles mamilos rosados,
sentia o gosto de suor misturado com um gosto estranho que devia ser de algum
perfume barato.
Pouco a pouco eles se despiam. Jogavam
no chão, roupas molhadas, quentes, amarrotadas. Ela era obviamente mais
experiente que ele, mas o magrelinho sabia o que fazia.
Ela o beijava sentada em seu colo,
sentindo o corpo dele pulsar dentro do seu. Ele sentia o gosto de cigarro que
vinha da boca dela, sentia o suor correndo na sua testa, as unhas rasgando suas
costas e aquele calor em seu ouvido.
Ela segurou na cabeceira da cama, sentia o corpo daquele menino sobre suas
pernas, um menino magro, que não devia ter seus dezenove anos. Ele, por sua
vez, via uma quarentona descabelada, com maquiagem borrada, dentes amarelados e
seios que começavam a balançar mais que o natural.
Ele berrou como um animal no cio quando terminou. Ela estava satisfeita. Aquela
respiração difícil musicava o quarto daquele
adolescente-quase-adulto-que-já-sabia-fazer-gozar. Ela levantou, passou a mão
nos cabelos loiros tentando-os fazer parecer arrumados. Foi até a janela e
acendeu um cigarro.
- Não te preocupa, teus
pais não vão sentir o cheiro aqui não, a fumaça ta saindo pela janela.
- Me dá um – disse ele,
levantando da cama.
- Tu não disse que não
fumava? Não quero te botar no vício garoto.
- Não fumo, mas gosto de
colocar o cigarro apagado na boca. Me dá a sensação de que to cumprindo todo o
ritual, com todos os clichês.
Ele colocou o cigarro na
boca, e serviu conhaque em dois copos.
-Você vai vir aqui semana
que vem? - Perguntou ele, oferecendo um dos copos.
Ela soltou fumaça, deu um
gole grande, passou o punho nos olhos.
- Tu não devia se apegar
guri. Tu sabe que eu não to disponível pra esse negócio de vida a dois.
- To sabendo – disse ele, mexendo a mão fazendo o gelo do conhaque tilintar – Só
pensei que, talvez a gente pudesse se ver pra mais uma bem dada.
-
A gente vê. Te cuida criança - Ela disse
apagando o cigarro, e procurando suas roupas.
Quando ela saiu, ele deitou-se na cama, ainda nu, e ficou um tempo imaginando
como seria se ela sentisse por ele, o que ele sente por ela.
Tratou de dormir logo, em três horas ele tinha terapia. Mais um dia pra ficar
uma hora em silêncio dentro de um consultório.
4 de julho de 2011
ele amou. ela não viu.
Ele era um garoto invisível. Sozinho. Nunca foi percebido, afinal não passava de um simples e indiferente garoto invisível. Ele ficava horas em frente a um espelho, mexia-se como se provasse um smoking elegante, sonhava com o dia em que sua imagem apareceria refletida e ele veria a cor de seus olhos. Ele queria que fossem pretos. Como os olhos da garota de cabelo vermelho. Fazia tempo que ele a tinha conhecido. Ele a namorava. Ela não sabia. Era segredo. Uma vez ele pensou em vê-la no banho, mas se conteve. O garoto invisível queria esperar um dia especial. A garota do cabelo vermelho chorava muito, certo dia. Ele até sabia por que. Mais uma vez o garoto da blusa marrom a magoou. Quando ele ficasse visível, aquele cara ia ver só. No entanto, naquele momento, ele deveria ser esquecido. O garoto invisível beijou a face da garota. Era ele quem estava lá em todos os momentos. Faça chuva, faça sol. Ele também já chorou, mas ela, nada fez. Ele era apenas um garoto invisível. Todas as cartas que ele escreveu, ela não leu. Todo sorriso que ele deu, ela não viu. Toda vez que ele secou suas lágrimas, ela não percebeu. Ele lhe contava todos seus segredos, ela não ouvia. Ele contava seus problemas, ela não se importava. Ele era apenas um garoto invisível. Um dia ele a abraçou, isso ela sentiu. Ele quis contar para todos, cochichar com seus amigos. Mas não, ele não tinha amigos. Tolo, ele não imagina o tanto de garotos invisíveis que existem por aí.
2 de abril de 2011
5
Vamos viver, minha Lésbia, e amar,
E aos rumores dos velhos mais severos,
A todos, voz nem vez vamos dar. Sóis
Podem morrer ou renascer, mas nós
Quando breve morrer a nossa luz,
Perpétua noite dormiremos, só.
Dá mil beijos, depois outros cem, dá
Muitos mil, depois outros sem fim, dá
Mais mil ainda e enfim mais cem - então
Quando beijos beijarmos (aos milhares!)
Vamos perder a conta, confundir
P'ra que infeliz nenhum possa invejar,
Se de tantos beijos souber, tão longos beijos
(Catulo - Séc. I a.C.)
27 de agosto de 2010
mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo...
Depois de muito tempo eu falei com ela. Eu disse: "Oi". Ela respondeu: "Oi". Eu disse: "Tudo bem?". Ela disse: "Tudo e você?". Eu queria ter dito que não, que eu não tinha aprendido a fazer tudo ficar bem sem ela. Queria ter dito que eu estava com saudades, e que eu precisava ouvir o som de sua voz meio rouca, que quando ficava com vergonha era balbuciada, Precisava sentir o calor de seus murmurios em meus ouvidos, dizendo aqueles nossos segredos. Aqueles segredos que me arrepiavam, e logo depois sentir aquele beijo que não encontrei em mais ninguém. Queria sentar num gramado verde e levemente florido, com ela deitada nos meus braços, e enquanto eu bagunço seu cabelo com meu carinhos, ouço ela contar como foi seu dia, ouvir todos os seus problemas, ouvir ela dizer que quebrou a unha ou que brigou com sua mãe, enfim ouvir tudo o que ela quiser falar. Confesso, que eu sempre quis mesmo era ouvir sua voz. Queria por pelo menos mais uma vez, rir enquanto eu vejo ela termina de se arrumar e passeia pela casa ventindo apenas um par do sapato com salto. Queria ter dito que eu queria que ela voltasse pra mim, mas eu disse: "To bem tbm". O Assunto acabou. Quando ela virou, uma lágrima disse tudo que querita ter dito.
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