31 de agosto de 2013

Gostos...

Let me hold you



Eu gosto do seu cheiro. Gosto de quando você entrelaça seus dedos nos meus. Gosto quando você esquenta minha orelha com seus lábios quentes. Gosto quando você fala macio, quando você sussurra. Gosto quando você beija meu sorriso e também quando você faz eu me perder na doçura do seu. Gosto de quando caminhamos juntos. Gosto de quando eu te tenho nos braços. Gosto quando falamos. Gosto quando silenciamos. Gosto de quando você me toca. Gosto de contornar os traços do seu rosto e ver que ele tem poesia. Gosto de quando você morde minha bochecha. Gosto de pensar em você. Gosto de bagunçar seu cabelo.  Sim, eu gosto. Gosto de quando nossas respirações se sintonizam. Gosto quando seu beijo tem gosto de morango com chocolate. Gosto do seu abraço. Do teu laço. Do teu amasso. 

Gosto do teu gosto.
Gosto do que você me faz gostar.
Gosto e não nego
que gosto.
Te gosto,
e como gosto.

17 de julho de 2013

Não sobrou ninguém no local

- acho que vou dormir
- Vai sonhar comigo?
- Se eu começar a sonhar com você, fuja ou me faça feliz.

8 de julho de 2013

O pranto de uma criança de olhos azuis.


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Minha cabeça está confusa. É como se minha mente fosse um salão de festa e meus pensamentos estivessem dançando num passo desordenado de uma dança que não sei dizer qual é. Tudo se move rápido demais e eu não consigo me ater a nada, não consigo ver nada, não consigo compreender nada. Há nesse salão de festas uma criança chorando num canto enrolada num cobertor como se quisesse se tornar invisível. Esse garoto é a única coisa imóvel dentro desse caos. Ele chora porque seus olhos são azuis. Ele vem de um lugar onde todos os olhos são pretos. - Já imaginou ter esses horríveis olhos azuis enquanto todo mundo tem olhos normais?- ele me perguntou entre soluços.  Ele carregava em sua mão magra um óculos de sol com uma perna quebrada. As pessoas gostavam dele quando ele usava aqueles óculos.  Mas com aqueles óculos, ele não consegue ver a lua, justo ele, que ama tanto ver a lua. Ele já tentou pintar seus olhos com giz de cera mas não funcionou. Ele se esforçou tanto, que é triste saber que de nada adiantou. Então ele tentou tinta guache. Fracassou de novo. Ele me perguntou:
 - Onde Deus guarda a tinta que Ele pintou o nosso olho? Por que tinha que faltar tinta justo na minha vez?
Eu silenciei.

Talvez ainda houvesse tinta preta, mas Deus preferiu usar a tinta que coloria o céu, para pintar seus olhos.
Eu o abracei, o ninei e disse:
- O céu deveria se orgulhar de ter a cor dos seus olhos.

23 de junho de 2013

Poucos sabem, mas Prometeu amou o abutre

Sohaib Sehrai | via Facebook

Toda noite eu desisto de você.
Decido parar de me enganar, de idealizar, de perdoar. Decido não sofrer por você.
Pela manhã, o céu claro me faz lembrar seus sorrisos tímidos, seu timbre, o entrelaçar dos seus dedos, suas mordidas. A manhã me traz a vontade de sentir sua pele na minha.
Pela tarde você aparece e com um beijo delicado devora meu fígado, meus sorrisos, meu sono, meus sonhos, meus versos, meus inversos e nem nota isso. Quando a tarde se finda, você parte voando com sua boca ensanguentada.
Então a noite chega, e eu desisto de você. 


O que deu em Prometeu para amar o abutre? 
Quão difícil é parar de achar que vale a pena? 
Prometeu achava que um dia o abutre não o devoraria.
Tolo Prometeu, abutres nunca viram beija-flor. 

1 de junho de 2013

O nós que há em mim.

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Quem acha que se conhece por inteiro, ignora as inúmeras possibilidades de se descobrir alguém novo cada vez que vê a lua. Cada vez que meu olhar toca uma pupila nova, é como se ele implorasse: Me conheça, me descubra, saiba quem eu sou, mas por favor, me apresente esse novo eu que quero tanto levar para passear, tomar um sorvete de morango. 
Quantos sorrisos cabem na minha boca? Quantos olhares cabem no meu olhar? Quantas vezes seu coração pulsa em cada batida? De quantas maneiras você sabe secar uma lágrima?
Se um dia as pupilas pararem de descobrir quem sou eu, é porque a banda parou a valsa e meu eu se esgotou.

24 de abril de 2013

21 de abril de 2013

Ódio insuficiente

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Quando teu ódio por mim não for suficiente, eu imploro que me ames. E que me ames loucamente pois só o amor é capaz de destruir com dor, fazer cada palavra soar como uma chicotada e cada lembrança ser como uma agulhada na pupila.